PESQUISADORES DEBATEM DESIGUALDADES SOCIAIS

O Brasil, como seus congêneres do Terceiro Mundo, sofre do mal da modernização incompleta. Essa "doença" tem como principal causa a confusão que se fez ao longo das décadas entre desenvolvimento e crescimento econômico e como principal consequência o perigo de que os países em desenvolvimento acabem "coroados" como os grandes poluidores do planeta, isentando-se o Primeiro Mundo de qualquer responsabilidade. O alerta foi feito ontem durante o primeiro dia da Conferência Internacional de Meio Ambiente, Desenvolvimento e Saúde (Cimades), uma espécie de prévia para a Rio-92, promovida pela FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro. Especialistas brasileiros e estrangeiros em ecologia, controle de vetores, ecotoxicologia, desigualdades sociais e educação debaterão até o próximo dia 24. As discussões da Cimades deverão resultar em dois documentos-- a Carta da Saúde e a Agenda Sanitária-- que serão encaminhados para a conferência da ONU. Durante a abertura da Cimades, o presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Ênio Candotti, disse que a comunidade científica brasileira vai à Rio-92 de luto por seu abandono. Candotti teme que a conferência seja usada para o "lobby" das empresas de transporte, saneamento e construção. Para ele, os preparativos para a Rio- 92 enfatizam a necessidade de investimentos em saneamento, saúde e educação para a preservação da natureza, enquanto as pesquisas científicas sequer são citadas. Segundo Candotti, dos mil centros de pesquisa do país, pelo menos 600 estão abandonados. Há mais de três mil projetos de pesquisa que até hoje não receberam financiamentos já aprovados, enquanto as bolsas de estudo são pagas com atrasos de até 15 dias há pelo menos quatro meses (JC) (O Globo).