ESQUEMA PP LUCRA US$50 MILHÕES COM LETRAS HIPOTECÁRIAS

O "Esquema PP" pode ter lucrado aproxidamente US$50 milhões na intermediação de contas de letras hipotecárias para os fundos de pensão patrocinados por estatais. No último balanço consolidado da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (ABRAPP) de janeiro, as aplicações em letras hipotecárias somavam US$226 milhões, e a estimativa é que 20% desse total passaram pelas mãos do "Esquema PP" em função do deságio médio com que esses papéis foram negociados. O maior intermediário nas negociações das letras hipotecárias era um dos homens do "Esquema PP", Francisco França, o Chiquinho da Mafra. Ele comprava letras em todos os estados e as repassava aos fundos de pensão. Como os empreiteiros da construção civil tinham créditos a receber do governo, acabaram aceitando as letras hipotecárias emitidas pela Caixa Econômica Federal. As letras eram de longo prazo e o resgate variava entre dois e cinco anos. Elas eram corrigidas pela TR mais 6% ao ano. Por não poder esperar tanto tempo para receber o dinheiro, os empreiteiros aceitavam negociá-las a um intermediário com deságio médio de 40%. O intermediário, Chiquinho da Mafra, repassava o papel a um fundo de pensão que o comprava com um deságio de 20%. A diferença, equivalente a 20% do valor da letra, ficava com o "Esquema PP". O intermediário sempre usava uma corretora de valores ou uma distribuidora para fazer estas operações. A Mafra DTVM, de Marcos França, irmão de Chiquinho da Mafra, foi utilizada algumas vezes (O ESP).