O PROGRAMA BRASILEIRO DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE

Desde meados de março os telespectadores brasileiros assistem em dois comerciais cenas de desperdício até então considerados normais pela população: um sapato que se desmancha na chuva e uma laranja semi- apodrecida, representando as montanhas de hortifrutigranjeiros abandonados nos cantos de hortas e pontas de feira, e que dariam para fazer dois milhões de pratos de sopa por dia. Os filmes, cuja exibição custou à TELEBRÁS US$300 mil, fazem parte de um esforço do governo em popularizar o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP), lançado em novembro de 1990 para ajudar as empresas a se modernizarem e enfrentarem a concorrência estrangeira. Agora os coordenadores do projeto procuram conscientizar também os consumidores e os trabalhadores para a seriedade do problema. O PBQP não tem verbas próprias, e sua sobrevivência depende de doações das empresas públicas e privadas envolvidas no processo. Os comerciais, o logotipo e até o Prêmio Nacional de Qualidade, a ser lançado em novembro, são financiados pelas empresas. "Se as empresa não quiserem saber do programa, o azar é delas, pois a punição será dada pelo próprio mercado", afirma secretário nacional adjunto de Economia, Antônio dos Santos Maciel, um dos "pais" do programa. O setor de informática foi o primeiro a se engajar no programa. Segundo o Ministério da Economia, em 1990 os microcomputadores nacionais estavam com preços, em média, 2,5 vezes maior que o similar estrangeiro. No ano passado a diferença caiu para apenas 35%. Também estão avançando no programa as empresas de fundição, têxtil e de couros e calçados. No setor público, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é uma das entusiastas do programa, e no ano passado já conseguiu entregar 90,7% das correspondências no dia seguinte à postagem, contra 89% em 1990. E extraviou apenas 60 dos 15 milhões de objetos enviados. Quem se interessa pelo PBQP pode obter algum apoio financeiro para os projetos. Das seis linhas de financiamento existentes, cinco são destinadas a treinamento de mão-de-obra-- com US$5 milhões-- e pagamento de serviços de consultoria (duas da FINEP, uma do CNPq, uma do Banco do Brasil e uma do SEBRAE/FINEP). Somente o BNDES oferece financiamento também para aquisição de equipamentos, limitado a 65% do valor da compra, com correção monetária mais juros de 9% ao ano. Mas as pequenas e médias empresas podem obter recursos subsidiados ou a fundo perdido para treinamento (JB).