JOSÉ SERRA ESTÁ PREOCUPADO COM O MERCOSUL

O economista e deputado federal José Serra (PSDB-SP) afirmou ontem, no Rio de Janeiro, durante o painel da Conferência sobre a Nova Ordem Internacional, promovida pelo Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), estar preocupado com o acordo para a constituição do Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL), que prevê uma completa liberdade alfandegária a partir de 1994. "O acordo tem metas totalmente irrealistas, e será o Brasil que terá de pedir para revê-las, ou, em última instância, não aceitar cumpri-las, o que será péssimo para a nossa imagem junto à comunidade financeira internacional", afirmou. Para o deputado, o Brasil deverá pedir uma revisão das metas do MERCOSUL por ter mais a perder com uma integração exageradamente acelerada, já que Uruguai e Paraguai têm bases industriais menos importantes e a Argentina deliberadamente optou por uma política de desindustrialização e volta a
46216 um modelo antigo de grande exportadora de produtos agropecuários. O economista Winston Fritsch (PUC-RJ), também presente ao painel, defendeu o MERCOSUL como um importante elemento da estratégia que considera ideal para a inserção do Brasil na economia mundial. Para ele, o Brasil fez grandes progressos no sentido da liberalização, mas ainda não é liberal suficiente para ter um mercado comum com os norte-americanos. Em São Paulo, o ex-chanceler da Alemanha, Helmut Schmidt, afirmou que o sucesso da implantação do MERCOSUL depende em grande parte dos resultados obtidos na Rodada Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que discute entre vários temas a questão dos subsídios agrícolas. "Os políticos não podem deixar isso fracassar. A Rodada Uruguai também é importante para o MERCOSUL", disse (GM).