COLLOR FALA SOBRE AS MUDANÇAS NOS MINISTÉRIOS

O presidente Fernando Collor deu posse ontem aos cinco novos ministros defendendo-se das críticas de que as mudanças representam um retorno ao passado. "A contribuição da experiência não quer dizer volta ao passado", afirmou Collor em seu discurso. "Muito pelo contrário, quer trazer a garantia de que vamos evitar erros do passado", disse. No seu discurso, exigiu dos novos auxiliares atenção especial para conseguir aprovar seus projetos no Congresso Nacional: "As palavras de ordem são diálogo, entendimento e cooperação". Collor admitiu que seu governo atravessa um momento difícil e afirmou que, diante dos sacrifícios impostos pela política de estabilização econômica, os ministros e demais representantes do governo devem responder com atitudes de exemplar austeridade. A reforma ministerial foi justificada pelo presidente como necessidade urgente de "reforço do lastro político" do governo no Congresso. O cientista político Celso Lafer assumiu o Ministério das Relações Exteriores; Pratini de Morais, o de Minas e Energia; Affonso Camargo, o de Transportes e Comunicações; João Mellão, o de Trabalho e Administração; e Calmon de Sá, a Secretaria de Desenvolvimento Regional, que ganhou status de ministério. A posse coletiva contou com a presença de 14 governadores. A reforma ministerial custará, só com pagamento de funcionários, cerca de Cr$1,6 bilhão em 1992. Este dinheiro será o montante mínimo necessário para preencher os mais de 160 cargos que serão reabertos com a divisão do Ministério da Infra-estrutura e do Trabalho e Previdência Social, o mais recente caso de retrocesso na reforma administrativa do governo. Em cada ministério novo será colocado um ministro (salário de Cr$5 milhões), um secretário-executivo (Cr$2,5 milhões), um chefe de gabinete, um secretário de administração geral, um consultor-jurídico e um secretário de controle interno (Cr$1,6 milhão cada). Serão abertos também 27 cargos de delegados estaduais de cada ministério, cada um com salário equivalente a Cr$1,3 milhão (O ESP) (O Globo) (JB).