COLLOR REFAZ O MINISTÉRIO COM NOMES DO REGIME MILITAR

O presidente Fernando Collor encerrou ontem sua mais ampla reforma ministerial com a nomeação de políticos ligados ao regime militar e ao governo Sarney. Collor quebrou a promessa, feita quando foi eleito, de não trabalhar com ministros de governos anteriores. Abandonou também a idéia de dar à sua administração um perfil social-democrata, ao recusar as condições impostas pelo PSDB para participar do ministério. A nova equipe tem seis nomes da extinta ARENA, partido de sustentação dos governos militares. Os cargos foram distribuídos a vários partidos, na tentativa de ampliar a base governista no Congresso Nacional. O ministério cresceu de 12 para 14 pastas. A Infra-estrutura foi desmembrada em Transportes e Comunicações e Minas e Energia. Assume, respectivamente, o senador Affonso Camargo (PTB)-- ministro dos Transportes do governo Sarney-- e o empresário Marcus Vinícius Pratini de Morais (PDS)-- ex-ministro da Indústria e Comércio no governo Médici e atual presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). O deputado federal João Mellão Neto (PL-SP)-- ex-secretário na administração municipal de Jânio Quadros em São Paulo-- é o titular do ressuscitado Ministério do Trabalho, que congregará a Secretaria de Administração Federal (SAF), cujo titular, Carlos Garcia, foi mantido. O advogado e cientista político Celso Lafer (filiado ao PSDB) assume o Ministério das Relações Exteriores-- ele fora indicado pelo ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. O ex-ministro da Indústria e Comércio no governo Geisel e banqueiro, Ângelo Calmon de Sá, será ministro-chefe da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR). Foram mantidos Antônio Cabrera-- agora filiado ao PRN-- (Agricultura), general Agenor Homem de Carvalho (Gabinete Militar), embaixador Marcos Coimbra (Secretaria Geral da Presidência) e Bernard Rajzmann (Esportes). O delegado Romeu Tuma continua secretário nacional de Polícia Federal, mas com poderes diminuídos. Ele não será mais diretor-geral do Departamento de Polícia Federal. Com a reforma, a Secretaria Particular da Presidência da República foi extinta e seu titular, Cláudio Vieira, demitido. A área de divulgação e publicidade será administrada pela Secretaria de Imprensa, ocupada hoje por Pedro Luiz Rodrigues. A Secretaria Geral da Presidência ganha mais uma atribuição: cuidar dos assuntos pessoais do presidente Collor (FSP) (O ESP) (GM) (JB).