Crianças e adolescentes da FEBEM de São Paulo deflagraram ontem a quinta revolta em 15 dias. Cenas de crianças armadas e ingerindo álcool se repetiram. Um garoto de 15 anos foi ferido a estilete por outro interno, porque não teria concordado em participar do movimento. A rebelião durou praticamente o dia todo. Os amotinados saquearam a despensa da FEBEM e jogaram gêneros alimentícios para moradores da favela vizinha ao prédio. A rebelião deixou um saldo de três meninos e uma funcionária feridos. Relatório preparado por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Pastoral do Menor e deputados mostra que a instituição virou um depósito de crianças. O documento revela superlotação, falta de higiene e condições sub-humanas. Ao mesmo tempo em que ocorria a rebelião, o governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), anunciava um plano de descentralização das unidades que abrigam crianças e adolescentes infratores. Em seis meses, os prédios do quadrilátero da FEBEM do Tatuapé (zona leste), onde estão depositados 1.270 adolescentes infratores, começam a se esvaziados. Não há verba ainda alocada para a construção de 60 abrigos que serão instalados em todo o estado, 20 deles na capital. Cada abrigo receber até 40 menores (FSP).