O ministro da Saúde, Abid Jatene, confirmou ontem que o Brasil aceitará aplicar vacinas contra a AIDS em seres humanos em caráter experimental, dentro do programa da OMS (Organização Mundial de Saúde). A posição é contrária à da gestão do ex-ministro Alceni Guerra, que fazia restrições aos testes. Jatene afirmou, durante o Simpósio Nacional sobre AIDS, em Florianópolis (SC), que "houve um equívoco na colocação do problema, porque levantou-se a idéia de que o Brasil seria cobaia para os países desenvolvidos". O Brasil é o único país da América Latina selecionado pela OMS para a aplicação do programa de vacinas contra AIDS em seres humanos. De acordo com o representante da OMS para a América Latina, Fernando Zacarias, a situação epidemiológica e a infra-estrutura dos países que poderiam participar nas distintas fases foram os critérios de seleção. Zacarias afirmou que ainda não é possível dizer qual das 14 vacinas atualmente pesquisadas no mundo poderá ser aplicada no Brasil. "Primeiro é preciso fazer o isolamento do vírus utilizado para a produção da vacina. Depois, será preciso reforçar a infra-estrutura de laboratórios", afirmou. O cientista francês Jean Luc Montagnier, que isolou o vírus da AIDS, afirmou que a possibilidade de sobrevida dos portadores da doença, atualmente em torno de 10 anos, poderá aumentar em breve, com o uso de medicamentos combinados (FSP) (JB).