O presidente do Peru, Alberto Fujimori, 53 anos, deu um golpe de Estado com o apoio das Forças Armadas no último dia cinco à noite. Dissolveu o Congresso, prendeu a maioria dos líderes partidários, censurou os meios de comunicação e colocou o Exército nas principais ruas e instituições de Lima. Fujimori disse que quer reformar o sistema político do país para realizar mudanças estruturais. A oposição convocou a população à desobediências civil e declarou vago o posto de presidente da República. O Congresso e o Palácio da Justiça (sede do Judiciário) amanheceram cercados por tanques e tropas do Exército. Apesar da forte presença militar, o clima em Lima era de aparente tranquilidade. As aulas nas escolas e universidades foram suspensas por três dias. O presidente peruano acusou os parlamentares de "frearem" seus esforços para combater o narcotráfico e os privilégios da burocracia. Criticou o sistema judiciário, que vinha sofrendo acusações de corrupção e subordinação aos narcotraficantes. A OEA (Organização dos Estados Americanos) convocou uma reunião de emergência ontem em Washington (EUA) para discutir possíveis sanções contra o país. Os EUA condenaram o golpe, considerando-o um "lamentável passo para trás" e pedindo "o retorno à ordem constitucional". O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) decidiu suspender a concessão de um empréstimo de US$222 milhões ao Peru devido ao golpe. Nem o vice-presidente peruano, Maximo San Roman, nem o ministro da Economia, Carlos Bolona, apareceram para firmar o contrato, na reunião anual do BID que acontece na República Dominicana. O ministro demissionário das Relações Exteriores, Francisco Rezek, disse ontem que o Brasil não adotará qualquer atitude em relação ao golpe no Peru que não seja em comum com outros países. Em nota oficial, o Itamaraty evitou a palavra "golpe", optando por chamar de "dificuldades internas" o que aconteceu no Peru. Na entrevista coletiva, Rezek se negou por três vezes a dizer se o governo brasileiro condenava o golpe. A nota afirma que "não há mais espaço para regimes estranhos à soberana vontade popular, para gestos destoantes da ordem constitucional e para o sacrifício das liberdades públicas". Sessenta peruanos de Puerto Maldonado, Cuzco e Trujillo entraram ilegalmente no Brasil desde a madrugada de ontem, após a notícia de golpe no Peru. Eles entraram através do Município de Assis Brasil (AC), na fronteira com o Peru (FSP) (O Globo).