Cerca de 4 milhões de crianças de 7 a 14 anos correm o risco de ter aulas com 167 mil professores leigos, sem formação adequada para o 1o. grau, em 1997. Este é um dos cenários traçados pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) do Ministério da Economia com base em dados levantados pelo Serviço de Estatística do Ministério da Educação em 1987. Além deste cenário, o instituto traça mais dois prevendo a existência de 113 mil ou 134 mil professores leigos. Em 1987, quando foi realizado o último censo educacional-- o anterior é de 1977--, o Brasil possuía 1,17 milhão de professores de ensino de 1o. grau, dos quais 13% possuíam apenas o 1o. grau (completo ou incompleto), 48% o 2o. grau completo e os da 5a. a 8a. séries o curso superior, 145,7 mil (13%) dos professores do país foram considerados leigos em 1987. O primeiro cenário traçado pelo IPEA, que apresenta uma tendência de queda de 145,7 mil professores leigos em 1987 para 113 mil em 1997, prevê um aumento da população de 7 a 14 anos inferior a 1,8% em dez anos (1987/97). Este fator, combinado com a queda de 33% para 27,6% dos residentes em áreas rurais face ao fluxo migratório, representaria um total de 7,5 milhões de crianças estudando no campo em 1997 contra 8,7 milhões em 1987. A conclusão é baseada nos dados de 1987, que indicavam a presença de 84% de professores leigos em escolas rurais, sendo que 51% deste total no nordeste. De acordo com a pesquisa de 1987, 3,5 milhões de alunos do 1o. grau eram atendidos por professores leigos. Os professores com curso superior concentravam-se nas escolas urbanas, com 60% atuando nas regiões sul e sudeste e menos de 30% nas regiões norte e nordeste. O segundo cenário, indicando a existência de 167 mil professores leigos em 1997, tomou como base o indicativo de que 90% das crianças de 7 a 14 anos estariam matriculadas na rede de ensino de 1o. grau-- hoje esse número gira em torno de 80%-- e que o número de professores leigos cresceria na mesma proporção do período 1977/87. O terceiro cenário, apontando em 134 mil o número de professores leigos leva em conta a mesma proporção de crianças de 7 a 14 anos que frenquentavam escola em 1987 com a manutenção da mesma taxa registrada no período 1977/1987 de professores leigos. Segundo a coordenadora do estudo do IPEA, Angela Rabelo Barreto, atualmente na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, onde prepara projetos para educação, a presença de professores leigos na ree de ensino é decorrente dos baixos salários recebidos pelos que atuam no meio rural e por causa da perda de prestígio da atividade no meio social (O ESP).