PLANO DE AÇÃO É BASEADO EM PROGRAMA DE 1962

O Plano Plurianual de Ação com que o secretário de governo, Jorge Bornhausen, tenta a partir de hoje ampliar a base de apoio ao governo, é uma reedição do programa apresentado em 1962 ao então presidente João Goulart por seu ministro das Relações Exteriores, San Tiago Dantas. Rejeitado na ocasião pelo Congresso, sob críticas da UDN e do PSD, o texto voltou a ser encaminhado por Goulart no início de 1964, com o nome de Reformas de Base, e acabou engavetado em abril pelo recém-implantado regime militar. O atual ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, que foi assessor de Dantas no Ministério da Fazenda, em 1963, cerca-se agora de cautelas: o presidente Collor tem no Ministério da Justiça, como aliado constitucional, o ex-udenista Célio Borja, instalou na Secretaria de Ciência e Tecnologia o social-democrata Hélio Jaguaribe, um entusiasta das idéias de San Tiago Dantas, e entregou os Assuntos Estratégicos a Eliezer Batista, outro egresso da equipe de Dantas. O texto seguirá por fax para o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, e será apresentado também aos dirigentes do PSDB, que Collor pretende atrair para um governo de coalizão. Durante a semana, outras cópias terão como destinatários os líderes dos demais partidos, dirigentes sindicais e religiosos. Os tucanos, cuja Executiva deverá se reunir amanhã para reabrir as discussões internas sobre seu apoio a Collor, preparam uma contraproposta: querem incluir no plano de ação a reformulação da Previdência Social com o pagamento dos 147% aos aposentados, além da elaboração de uma política salarial e medidas de combate à recessão (O ESP).