Pelo menos 30 crianças portadoras do vírus da AIDS frequentam escolas em São Paulo. Nas creches e pré-escolas esse total pode atingir uma centena. É a primeira geração de filhos de pais aidéticos que sai de suas casas e vai para o convívio social. Especialistas dizem que esses números devem triplicar no ano que vem. "Vamos ter uma explosão de crianças com o vírus nas escolas", prevê Teresinha Cristina Reis Pinto, coordenadora do Projeto AIDS da Secretaria Municipal de Educação. A chegada dessas crianças é um desafio para a escola e a sociedade. Várias escolas públicas que aceitaram crianças com o vírus tiveram de enfrentar o protesto de pais, que acabaram retirando seus filhos do colégio. Para lidar com o problema, a prefeitura de São Paulo criou o Projeto AIDS, que treina professores e funcionários de escolas públicas. O Ministério da Saúde já registrou no país 900 casos de crianças entre zero e 15 anos com AIDS. A metade delas já teria morrido. Cerca de 52% contraíram o vírus por transmissão direta da mãe, 18% por transfusão de sangue e 18% são hemofílicos. Dez por cento das causas não foram definidas. No hospital Emílio Ribas, em São Paulo, 70% das crianças acompanhadas pegaram o vírus da mãe. Todos os filhos de mães aidéticas nascem com anticorpos do HIV, mas apenas um terço deles tem o vírus. A maioria permanece soropositiva durante os primeiros dois anos de vida (FSP).