Um grupo de portadores do vírus da AIDS do Rio de Janeiro criou uma espécie de consórcio para tornar o tratamento da doença mais barato, rápido e eficiente. Através do pagamento de cotas, os pacientes têm conseguido acesso a medicamentos caros e difíceis de encontrar. O grupo começou a se reunir há um ano e oito meses com três pessoas. Hoje abriga 90 portadores do vírus. O valor de cada cota é definido de acordo com a renda do paciente. Os medicamentos são comprados e estocados no consultório do médico Walter Almeida e utilizados conforme a necessidade de cada um. Um acordo feito com a VARIG permitia que os remédios fossem trazidos do exterior sem pagamento de taxa de importação. Mas a empresa restringiu essa operação, devido aos custos, para os remédios considerados essenciais, como o AZT. Remédios contra as chamadas "doenças oportunistas", causadas pela AIDS, têm a necessidade de pagamento da taxa de importação. O consórcio é formado por pessoas de classe média (alta e baixa). São homens e mulheres de diversas faixas etárias, a maioria morando na zona sul do Rio de Janeiro. O grupo se reúne semanalmente na casa de um dos participantes e criou também um boletim informativo, feito pelos próprios membros. O grupo ainda está aberto a novos participantes, mas não quer se expandir a ponto de virar uma empresa importadora de remédios. "O interessante é que surjam outros grupos assim pelo país", disse Walter Almeida (FSP).