Cientistas políticos representativos de amplos setores intelectuais de São Paulo e do Rio de Janeiro avaliam, em geral, que desta vez a reforma ministerial não se resume a mais uma jogada de propaganda. Abre as portas, no mínimo, para mudanças importantes no governo. Mas as opiniões oscilam entre a quase euforia e a cautela. O professor Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda, é dos mais otimistas. Para ele, a reforma é o resultado do desencanto do presidente com sua primeira equipe ministerial. Também otimista, o jurista Ives Gandra Martins diz que, ao contrário de revelar uma crise, a reforma demonstra amadurecimento institucional típico das democracias. O sociólogo Bolívar Lamounier adota um tom mais cauteloso. Atribui a reforma ao acúmulo de turbulências políticas e denuncias de corrupção que desgastaram o governo. Para Aspásia Camargo, da FGV, a reforma apenas continua um processo mais amplo, iniciado com a nomeação de José Goldemberg para a Educação (FSP).