JUIZ DENUNCIA "INDÚSTRIA DO MENOR"

A pesquisa coordenada pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que apontou 797 crianças e adolescentes que vivem nas ruas, serviu de base para que o juiz de menores do município, Liborni da Siqueira-- que já foi chamado de "vilão repressor"--, criticasse as 37 associações não-governamentais que cuidam do problema das crianças e estão cadastradas pela Polícia Militar. Isso é uma indústria. Gastaram rios de dinheiro na movimentação para
45885 revogar o termo menor"", que era pejorativo e fazia mal às crianças. No entanto, com essa indústria oficializaram a expressão "menino de rua" e criaram um estatuto que até hoje não saiu do papel", disse o juiz. Ele também acusou o governo federal de não fiscalizar o dinheiro do exterior que, segundo ele, sustenta essas associações. Liborni da Siqueira não poupou críticas ao governo estadual: "Realizaram o maior carnaval do mundo, construíram sambódromos, linhas vermelhas e outras séries de obras em tempo recorde, pagando verdadeiras fortunas, e, na hora de cuidar das crianças e da saúde, as verbas desapareceram". O juiz disse que o Rio de Janeiro tem quase 6 milhões de habitantes, e, desses, 50% são menores de 18 anos, a maior parte, carente. Acrescentou que 82% dos meninos de rua têm referência familiar (O Dia).