O secretário interino do Meio Ambiente, José Goldemberg, terá amanhã, em Nova Iorque (EUA), na reunião preparatória da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), duas difícies missões. Ele terá de explicar a ambientalistas e delegações internacionais que a troca de comando no setor, com a demissão do ex- secretário José Lutzenberger, não vai alterar a posição do governo brasileiro, disposto a tentar tirar o país do subdesenvolvimento sem prejuízos graves ao ambiente. Terá também de provar que os recursos que vai pedir aos organismos financeiros para custear a empreitada não cairão nas mãos de corruptos, como seu antecessor afirmou no mesmo fórum, antes de ser exonerado. Goldemberg, também ministro da Educação, é contrário á discussão, na Rio-92, da pobreza nos países subdesenvolvidos-- posição inversa à que o Brasil adotou com os outros países amazônicos signatários da Carta de Manaus. Essa discussão "não é viável e não vai ocorrer na conferência", disse ele. Goldemberg diz que vai restaurar a credibilidade do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), enviar ao Congresso Nacional, antes da Rio-92, a consolidação da legislação ambiental e apressar o zoneamento ecológico, pois este "não andou na velocidade que nós queríamos" (O ESP).