O FÓRUM SOBRE O MENOR CARENTE NO RIO DE JANEIRO

O caminho mais rápido para resolver o problema dos meninos e meninas de
45867 rua não necessita de tramites burocráticos para a liberação de verbas
45867 federais, estaduais ou municipais para realizar qualquer projeto de
45867 impacto. Precisa apenas de organização e articulação entre os diferentes
45867 órgãos públicos e instituições particulares que se dedicam à questão
45867 da infância carente e abandonada, visando a um aproveitamento adequado da
45867 infraestrutura, já existente em termos de abrigos para retirar os menores
45867 das ruas e lhes oferecer comida e educação, além de laser. Esta conclusão consensual emergiu dos debates do painel "Perspectivas para a infância carente", décima primeira etapa do "Fórum Rio Século XXI, pomovido pelo Jornal do Brasil, com apoio da Secretaria de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia do Estado e patrocínio do BANERJ. Não há necessidade de se construir mais abrigos, albergues, para abrigar
45867 as crianças abandonadas, que perambulam pelas ruas da cidade. Já existem
45867 muitos. A falha está na falta de organização e articulação, disse o secretário de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, Luiz Alfredo Salomão, moderador do painel. Em sintonia com as afirmações de Salomão, o juiz titula da 2a. Vara de Menores, Siro Darlam, observou que existe um grupo de 13 prédios construídos pelo governo federal no bairro de São Francisco Xavier, formando o Centro de Recepção Integrada (CERIN), criado com a finalidade específica de abrigar crianças de rua. Mas o CERIN está desocupado há dois anos por problemas burocráticos e para mantê-los desabitado o governo federal gasta, mensalmente, US$35 mil com o esquema de segurança. Outro exemplo de abrigos que estão ociosos foi apontado pelo juiz Darlan: quatro Centros de Recursos Integrados de Atendimento ao Menor (CRIAM), localizados em Santa Cruz, Bangu, Ricardo de Alburqueque e Penha. O senador Darcy Ribeiro defendeu o uso dos CIEPs e dos CIACs para abrigar as crianças carentes. A coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Maria Cristina Sá, considera que se estabelece "um impasse" no momento em que se oferece às crianças abandonadas a escola em horário integral. "Na escola de tempo integral, o menino tem que estudar, só estudar, não pode trabalhar". Para o diretor-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Herbert de Souza, a situação de abandono a que foi relegado o menor carente decorre da falta de interesse do poder público em encontrar uma solução para o problema. Ele lembrou que existem inúmeros projetos a favor dos meninos de rua mas poucos incluem a oferta de um lugar para dormir, com direito a, pelo menos, café da manhã. "A grande maioria dos projetos ou é preventivo, para impedir que as crianças passem a viver nas ruas, ou cria atividades para ocupar as crianças durante o dia, sem estrutura de moradia e alimentação", ponderou Herbert de Souza. E acrescentou: "Precisamos cuidar da situação limite, que se configura no fato de a criança ver a noite chegando e não ter onde dormir". Tomando por base o resultado de recente pesquisa do IBASE, que revela que os meninos que dormem nas ruas não passam de mil no Grande Rio, os debatedores chegaram a mais uma posição de consenso: a de que é possível resolver esse problema de imediato (JB).