ACORDO REDUZIRÁ EM 22% OS PREÇOS DOS CARROS

Os automóveis terão uma redução de preços de pelo menos 22% sobre as atuais tabelas, conforme a versão do acordo discutido nos últimos dois dias entre governo, empresários e trabalhadores, em Brasília. Não houve anúncio oficial da decisão por falta de acordo entre os diversos setores empresariais envolvidos, que disputavam qual deles cederia a maior fatia da margem de lucros. Pelo acordo, os automóveis não terão reajustes em abril. Nos dois meses seguintes, acompanharão a inflação. O acordo vale por 90 dias. Os governos federal e estaduais concordaram em reduzir seus impostos-- IPI e ICMS-- sobre os carros em 12 pontos percentuais. Nesses três meses, as montadoras esperam vender 35 mil carros encalhados em seus pátios. Os metalúrgicos concordaram em adiar por 90 dias a data-base da categoria, marcada inicialmente para o próximo dia primeiro, em troca de 60 dias de estabilidade no emprego. Os trabalhadores aceitam receber, durante a vigência do acordo, apenas reajustes correspondentes à inflação acumulada nos próximos três meses, sem discutir as perdas salariais passadas. Também ficou decidido que até 23 de abril o Banco Central estabelecerá novas regras para os consórcios, que poderão abrir novos grupos já naquela data. O acordo prevê também as seguintes medidas: financiamento-- caminhões, ônibus e veículos pesados terão regras mais flexíveis de financiamento; exportação-- exportação de carros terá incentivos. Mês que vem, governo e montadoras buscarão forma de vincular a exportação à importação; trabalho-- empresários e trabalhadores têm pouco mais de dois meses para negociar contratos coletivos de trabalho; Congresso-- a comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados fará audiência pública para debater resultados do acordo; investimentos-- as montadoras se comprometeram a divulgar, até julho, seus programas de investimentos (JC) (O Globo) (JB).