DEBATE SOBRE A SITUAÇÃO DOS MENINOS DE RUA

Menos projetos novos e mais organização e articulação entre os que já existem é o caminho para resolver com rapidez o problema dos meninos de rua. Esta foi uma das principais conclusões do painel "Perspectivas para a Infância Carente", do Fórum Rio Século XXI, realizado ontem. "Não precisamos construir mais abrigos para as crianças. Já existem muitos, só que um não trabalha de maneira articulada com os outros. Isso faz com que recursos sejam desperdiçados, que muitos locais fiquem ociosos. É preciso somar esforços", disse o secretário estadual de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, Luiz Alfredo Salomão. O juiz Siro Darlan lembrou que há um grupo de 13 prédios construídos pelo governo federal no bairro de São Francisco Xavier, formando o Centro de Recuperação Integrado (Cerin), voltado justamente para abrigar crianças de rua, que está desocupado há dois anos por problemas burocráticos. Para manter esses prédios, são gastos mensalmente US$35 mil. Além do Cerin, estão também ociosos, segundo Siro, quatro Centros de Recuperação e Integração de Assistência ao Menor (Criam), com capacidade, cada um, para 32 adolescentes morarem e mais 300 frequentarem. Levando-se em conta a pesquisa que acaba de ser divulgada pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), revelando que os meninos que habitam as ruas não passam de mil no Grande Rio, os debatedores afirmaram que é possível chegar a uma solução de maneira imediata. Embora contestado por algumas entidades que trabalham com meninos de rua, o levantamento do IBASE foi bem recebido no debate. "Não estou querendo abrir polêmica com números, queremos é que os prefeitos providenciem imediatamente abrigos para essas crianças terem onde dormir e comer", disse o diretor-excutivo do IBASE, Herbert de Souza, que já esperava reações aos resultados da pesquisa. Segundo ele, existem inúmeros projetos a favor dos meninos de rua mas poucos incluindo a oferta de um lugar para dormir com um café da manhã. "A maioria dos projetos ou é preventivo, para impedir que as crianças passem a viver nas ruas, ou cria atividades para as crianças de rua durante o dia, sem estrutura de moradia, com camas e um café da manhã no dia seguinte", analisou. Precisamos cuidar da situação limite, que é a criança ver a noite
45732 chegando e não ter onde dormir, afirmou Herbert de Souza. A coordenadora da Pastoral do Menor, Maria Cristina Sá, levantou "o impasse" que se estabelece quando é oferecida às crianças a escola de horário integral. "O menino tem que estudar, não pode trabalhar. Mas como fazer para isso acontecer? Ele precisa vender seu limão no sinal, precisa ganhar dinheiro", disse (JB).