A dívida mobiliária (títulos) do governo federal cresceu 85,87%, passando de US$9,2 bilhões para US$17,1 bilhões entre setembro de 1991 e fevereiro de 1992. No mesmo período, a dívida interna (a soma dos títulos, mais cruzados bloqueados e depósitos remunerados no Banco Central) subiu de US$27,5 bilhões para US$30,5 bilhões (+10,9%). Esses números mostram que o governo federal está trocando uma dívida (os cruzados bloqueados), que custa Taxa Referencial (TR) mais juros reais de 6% ao ano, por uma outra, que custa juros reais de até 92,3% ao ano. Mas, além disso, o governo está fazendo dívida nova. Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Pedro Bodin, o crescimento não previsto da dívida interna é uma decorrência do aumento-- também não previsto-- das reservas internacionais do país (o caixa do país em moeda forte). O governo está comprando os dólares dos exportadores. Para que os cruzeiros correspondentes não estourem a base monetária (papel-moeda em poder do público mais reservas bancárias), o BC vende títulos. Nesse caso, a troca é de uma dívida, com custo determinado pela política de juros elevados, por reservas que rendem ao país (elas são aplicadas) em torno de 4% ao ano. Desde o início do ano, o BC comprou no mercado cerca de US$7,4 bilhões, sendo US$6 bilhões dos exportadores (FSP).