O advogado João Muniz de Oliveira Alves, designado pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Pedro Paulo Leoni Ramos, para convencer funcionários da PETROBRÁS a entrar no "Esquema PP"-- com objetivo de intermediar negócios entre a estatal e três empresas de comercialização de petróleo--, recebeu US$500 mil da Concic Engenharia. O dinheiro foi pago ao advogado pela aprovação, por parte da diretoria da PETROBRÁS, de uma obra civil na unidade U-32 da refinaria de Mataripe, na Bahia. A denúncia foi feita ontem, no Rio de Janeiro, por engenheiros do corpo técnico da estatal, depois da leitura de reportagem sobre a ingerência do secretário nos assuntos da empresa, publicada na edição de ontem deste jornal. Os funcionários informaram que a Concic venceu legalmente a concorrência de US$10 milhões para as obras na refinaria de Mataripe. Apesar disso, a direção da empresa demorou a aprovar o início da construção. Oliveira Alves pediu 6% de comissão para apressar a decisão, mas acabou recebendo apenas 5%, pois a direção da Concic regateou o pagamento da intermediação. Segundo os engenheiros, tal prática, de tão normal, foi apelidada de "pedágio" na estatal. Assim como "flanelinhas", são os funcionários da PETROBRÁS que aceitam suborno. A Associação de Engenheiros da PETROBRÁS (Aepet), acionista minoritária da empresa, vai pedir ao presidente da estatal, Ernesto Weber, explicações sobre as denúncias. Em Brasília, o secretário-geral da Presidência, embaixador Marcos Coimbra, afirmou desconhecer as denúncias. "Não li a reportagem, mas ponho em dúvida o seu conteúdo", antecipou (O ESP).