Uma pesquisa realizada no Município do Rio de Janeiro em fevereiro último pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais Econômicas), constatou que o número de menores que dorme nas ruas do Rio de Janeiro não é tão alarmante quanto se pensava e o problema tem solução. A pesquisa integra o projeto "Se essa rua fosse minha" e verificou que às 23 horas do dia 20, uma quinta-feira, dormiam nas ruas da cidade 1.099 menores e às 4 horas esse número caiu para 692. A pesquisa encontrou também 64 menores dormindo nas ruas de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, às 23 horas do dia 26, e apenas 23 às 4 horas do dia 27. Em Niterói e São Gonçalo, foram encontrados 92 menores às 23 horas e 81 às 4 horas, também no mesmo período. O diretor-executivo do IBASE, Herbert de Souza, disse que está convencido de que todas as prefeituras do Grande Rio, poderão oferecer a todas a essas crianças um lugar para dormir e as refeições. Na opinião de Herbert de Souza, o mesmo deveria ser feito em outras cidades. As informações obtidas com a pesquisa serão encaminhadas ao poder público. Herbert afirmou que, embora o problema não tenha proporções que muitos acreditam, a pesquisa é uma "contribuição para a solução desse drama que nos envergonha". O objetivo da pesquisa é subsidiar o planejamento do projeto "Se essa rua fosse minha". O passo seguinte será a realização de atividades esportivas e culturais nos pontos que concentram maior número de menores. A pesquisa custou cerca de US$1,5 mil (Cr$2,78 milhões), porque teve a participação de voluntários. Cada equipe realizou o trabalho em companhia de um policial. No Rio, 68% das crianças e adolescentes encontradas às 23 horas e 57%, às 4 horas, eram do sexo masculino. A pesquisa verificou também no Rio de Janeiro, no final da noite do dia 20, perambulavam pela cidade 437 menores e às 4 horas, 97. Também no Rio, às 23 horas, 310 crianças trabalhavam pelas ruas e outras 105 pediam esmolas nesse mesmo dia (O ESP) (JB).