A REUNIÃO PREPARATÓRIA DA RIO-92

O Fórum das ONGs (Organizações Não-Governamentais) brasileiras concluíram ontem que a quarta reunião preparatória da Rio-92 (PrepCom), em Nova Iorque (EUA), não produziu, até agora, resultados concretos. Ainda é cedo para dizer se o encontro do Rio será um fracasso ou um
45654 sucesso, mas não há nenhum resultado visível até agora, disse seu coordenador, Rubens Born. Segundo as entidades, haveria duas posições até agora irreconciliáveis nos debates diplomáticos dentro da ONU: 1) os países industrializados, que estão dispostos a ceder recursos para proteção ao meio ambiente e transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento, dentro de certos limites e sobretudo com condicionalidades; 2) os países em desenvolvimento que querem os recursos e a tecnologia mas não aceitam as condicionalidades, ou seja, as restrições e supervisões que os países industrializados introduzem na aplicação dos recursos. Os representantes das ONGs no comitê preparatório da Rio-92 denunciaram a ambiguidade da política do governo no debate dos temas políticos da conferência. Afirmaram que a avançada política ambiental defendida pelo secretário de Meio Ambientel, José Lutzenberger, não se reflete na retórica dos delegados brasileiros. "O que se diz é uma coisa e o que se pratica é outra", resume Rubens Born. Segundo ele, "não fica claro qual é a verdadeira política do governo em relação ao meio ambiente" (GM) (JB).