MARGEM DE LUCRO DE MONTADORAS AUMENTOU 140% EM CINCO ANOS

As fábricas de automóveis aumentaram em 140% a sua margem de lucro bruto nos últimos cinco anos. Este é o ponto central de um documento que será entregue pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (SP) ao ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. Na próxima semana, o documento-- preparado pelo DIEESE-- será discutido no seminário sobre a indústria automobilística, em Brasília. O documento tem 16 propostas de curto prazo e outras sete de longo prazo. De acordo com o documento, as montadoras conseguiram formidável aumento de rentabilidade mudando o "mix" de produção, reduzindo a fabricação de carros baratos e privilegiando modelos luxuosos e sofisticados. Para aumentar sua margem de ganho de 10,5% (em 1986) para 25,2% (em 1991), as montadoras adotaram uma feroz política de reajustes, além de reduzirem a produção. A indústria chegou a produzir 1,1 milhão de automóveis em 1980, contra pouco mais de 960 mil no ano passado. No mesmo período, o número de empregos no setor baixou de 133.500 para 109 mil. O achatamento salarial também permitiu às montadoras aumentarem seus ganhos. Em 1986, a mão-de- obra respondia por 6,4% do preço total de um veículo. Hoje, os salários não representam mais que 2,8% do preço final de um carro. Entre as principais sugestões dos sindicalistas para solucionar a crise no setor, estão a imediata redução dos preços, com reajustes abaixo da inflação, e o fim da política de juros altos (O Globo).