A rejeição ao presidente Fernando Collor atinge percentual recorde exatamente dois anos após sua posse. Pesquisa realizada pelo "DataFolha" junto a 2,5 mil brasileiros constatou que 48% da população consideram o governo ruim ou péssimo. Em março de 90 só 4% tinham essa expectativa em relação à gestão que começava. O quadro da avaliação positiva também se inverteu. Hoje só 15% dos entrevistados acreditam que o governo é ótimo ou bom. Há dois anos esse percentual erá de 71%. A evolução da curva de rejeição ao presidente acompanhou as suas derrotas. Collor não conseguiu liquidar a inflação como havia anunciado e mergulhou o país em recessão profunda. O desemprego cresceu e as epidemias aumentaram. A imagem do "caçador de marajás" está sendo minada pela avalanche de denúncia de corrupção. Na Procuradoria Geral da República há mais de 200 inquéritos. Os episódios mais graves são cerca de 30, em média pouco mais de um por mês. Tráfico de influência, superfaturamento e contratos sem licitação tornaram-se expressões correntes no vocabulário do "Brasil Novo". A estratégia de exercer o poder de forma imperial fracassou. A carga tributária dos assalariados aumentou 60% e o salário- mínimo caiu para o equivalente a US$60-- menos que os US$100 do governo Sarney. A redução dos gastos do governo federal nas áreas de saúde, saneamento e educação nos últimos dois anos levou o país a uma situação dramática no setor social. A explosão de epidemias de doenças como cólera, malária, dengue, hanseníase e a redução de matrículas do ensino básico marcam o governo Collor no período. No primeiro ano de governo, Collor cortou em 33,3% os gastos na saúde em relação ao último ano da gestão Sarney. Collor gastou Cr$862 bilhões, contra Cr$1,3 trilhão de Sarney. Na educação, Collor foi o presidente que menos gastou nos últimos 10 anos: 2,4% do total de despesas da União em 1990. A média de gastos com o setor entre 1981 e 1988 foi de 11,5%. O número de matrículas de primeiro grau subiu em 90, em relação a 89, mas caiu 0,7% em 91. Em 90, o primeiro grau teve 28,9 milhões de matrículas. Em 91, 28,7 milhões. A taxa de analfabetismo está em torno de 18% (FSP) (O Globo).