O governo brasileiro está com dificuldades para avaliar se ele próprio está cumprindo as metas prometidas ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Na carta de intenções entregue ao Fundo, o país se comprometeu a prestar contas trimestrais com base num novo método de aferição da economia. O problema é que até agora o Ministério da Economia ainda não conseguiu dominar o sistema que o próprio governo sugeriu. "Os cálculos não estão batendo", revelou ontem, em Washington (EUA), o secretário nacional de Planejamento, Pedro Parente. Uma das suas missões nesta viagem é justamente a de prevenir o FMI de que o governo ainda está tentando domar o novo método, antes que os técnicos do Fundo embarquem para o Brasil para realizar a sua própria avaliação trimestral, em fins de abril. Parente admitiu que as divergências são consideráveis mas garantiu que não há descontrole. A questão seria mais de sintonia. Para isso o Brasil precisaria de assistência técnica do FMI. Segundo Parente, na carta de intenções o Brasil propôs apurar as metas com base na chamada "aferição abaixo da linha". Ou seja: um sistema que analisa a performance econômica do país com base nas contas consolidadas pelo governo. O outro sistema-- "aferição acima da linha"-- é o método tradicional usado por qualquer armazém: um registro das despesas e das receitas. O problema é que isso é mais demorado, pois enquanto o governo federal é rápido em seus cálculos, os estados e municípios custam a apresentar suas contas (O Globo).