A prolongada crise econômica está tendo forte impacto sobre o movimento sindical: o número de greves realizadas em todo o país durante o ano passado foi 66% menor do que em 1990. Fora 744 paralisações, ante 2,2 mil registradas nos 12 meses anteriores. Os dados são do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Políticos (DESEP) da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O levantamento mostra que 52% das greves-- 386 movimentos-- ocorreram no setor público. Essas paralisações envolveram a maioria dos trabalhadores que cruzaram os braços no ano passado: 5,7 milhões, 65% do total. Esses protestos respondem também por 68%-- 31,3 mil-- do total de horas paradas computado no período. As paralisações no setor privado atingiram 47,7% do total em 91, ante 64,3% em 90. Das 744 greves registradas no ano passado, 370 (51,1%) foram feitas nos locais de trabalho. A queda do número de paralisações, associada a uma redução de 28,7% no número de grevistas, fez com que o total de horas paradas caísse 75,5% entre 1990 e 1991, passando de 186,4 mil para 45,7 mil (GM).