ESTUDO DIZ QUE FMI AMPLIA CRISE SOCIAL

Os países em desenvolvimento que seguem os programas de ajuste econômico recomendados pelo FMI (Fundo Menetário Internacional) crescem mais rapidamente que as nações que não adotam o receituário do FMI. Por outro lado, segundo apurou a pesquisa realizada por um grupo de economistas privados norte-americanos reunidos no IMF Assessment Project (Projeto de Avaliação do FMI) e divulgado na edição de ontem do "The New York Times", esses países também aprofundam os desajustes sociais. Como um dos remédios monetários receitados pelo FMI é a redução drástica e imediata dos déficits públicos das nações em desenvolvimento e como a maioria desses países são possuidores de sistemas tributários precários (com alta taxa de evasão fiscal), seus governos, para executar os programas do FMI, acabam reduzindo as despesas do Estado com programas sociais. O relatório mostrou que em 48 programas do FMI entre os anos 1986 e 1990, 92% dos países beneficiados reduziram os seus gastos com o setor habitacional, com programas de saúde ou de subsídios à produção agrícola. O texto também afirma que 62% dos programas realizaram cortes em duas destas três áreas, e que 29% dos programas envolveram cortes gerais nos gastos sociais equivalentes a mais de 20%. Quanto à necessidade de ampliar a receita, a pesquisa descobriu evidências de novo efeito perverso: as rendas mais altas acabam sendo beneficiadas por políticas de incentivo fiscal, enquanto a massa assalariada, comparativamente, vê ampliado o pagamento de impostos (O ESP).