MUNDO TEM UM BILHÃO E MEIO DE MISERÁVEIS

Para cada bilionário no mundo, há 10 milhões de miseráveis. Nas contas da ONU (Organização das Nações Unidas), feitas em dólar, existem 157 bilionários, dois milhões de milionários, e 1,5 bilhão de pessoas vivendo de "nível abaixo da pobreza", isto é: passando fome. Esse é o ponto de partida para as propostas que a entidade trará à Rio-92, visando a assegurar que a proteção à ecologia não seja dissociada da melhoria das condições de vida. Quando se reunirem em junho na Rio-92 para discutir uma fórmula de desenvolvimento que não destrua o meio ambiente, representantes de 150 países não vão contabilizar somente o número de florestas destruídas ou rios poluídos. Vão tentar responder à questão principal: como convencer um miserável a deixar de cortar a árvore que garante o seu sustento hoje, explicando que a destruição da floresta vai perpetuar a pobreza dos filhos dos seus netos? A ONU e os países conhecem a resposta: entre preservar a árvore e matar o pobre de fome, a prioridade é a sobrevivência do ser humano. E para solucionar os dois problemas ao mesmo tempo, só existe uma alternativa: acabar com a pobreza. Para tal, a ONU não mediu ambição nas suas propostas, que serão discutidas ao longo das próximas semanas na reunião preparatória para a Rio-92, em Nova Iorque (EUA). No segundo capítulo da Agenda 21, que é a agenda de compromissos que os países terão que assumir depois da conferência, a ONU estabelece que todas as pessoas que estejam "abaixo da linha da pobreza" tenham oportunidade de ganhar um salário sustentável até o ano 2000. Nas regiões ecológicas vulneráveis, os governos devem lançar, junto com projetos de preservação, programas para aliviar a pobreza da população local, através da geração de empregos e da melhor utilização dos recursos naturais (O Globo).