A renegociação da dívida externa com os bancos privados e os países credores reunidos no Clube de Paris não deverá propiciar um alívio nos desembolsos do Brasil ao exterior em 1992. A expectativa dos economistas Paulo Nogueira Baptista, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Arno Meyer, da FUNDAP (Fundação do Desenvolvimento Administrativo do Estado de São Paulo), e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) é de que este ano os pagamentos ao exterior superem os US$10,9 bilhões enviados em 1991 pelo governo e o setor privado aos bancos comerciais, aos organismos multilaterais (FMI, BIRD e BID) e às agências governamentais. "Por melhor que venha a ser o acordo, os pagamentos externos este ano vão aumentar em relação a 91", prevê Meyer. "O acordo com o Clube foi muito pesado para o Brasil e isto complica a situação da dívida externa", diz Nogueira Baptista. Segundo dados obtidos por Suplicy junto ao Banco Central, o setor privado desembolsou no ano passado US$1,8 bilhão para honrar os empréstimos externos, um valor 50% superior ao US$1,2 bilhão pago em 1990. No setor público, o total de pagamentos chegou a US$9,1 bilhões, o que representa 107% a mais sobre o montante de 1990. O fechamento do acordo com o Clube de Paris, na avaliação dos economistas, não propiciará a volta imediata dos financiamentos por parte dos países credores. Até que sejam fechados os acordos bilaterais entre o Brasil e governo credor, o que deverá ocorrer somente no final do ano, os financiamentos não deverão ser retomados. Ou seja, o governo estará pagando às agências governamentais cerca de US$2,1 bilhões, mas nada deverá receber em troca, na opinião dos economistas (O Globo).