PF APURA DENÚNCIAS CONTRA MAGRI

Por determinação do presidente Fernando Collor, a Polícia Federal abriu ontem inquérito para apurar a denúncia de que o ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, teria recebido suborno para facilitar o parcelamento de dívidas de uma empresa com o INSS. O caso foi tornado público pela deputada federal Cidinha Campos (PDT-RJ), que divulgou o teor da gravação de uma conversa telefônica na qual o ex- diretor de Arrecadação e Fiscalização do INSS, Volney Abreu Ávila afirma ter ouvido a confissão do próprio Magri. Segundo o ex-ministro, sua conversa com Ávila era um teste da honestidade do seu auxiliar. Em São Paulo, o assessor do INSS, Antônio Sérgio Martins Gaspar, revelou que o metalúrgico aposentado Décio Cardoso, conhecido como "Faixa", amigo do ex-ministro, foi intermediário na negociação para a rolagem de dívidas da empresa J.B.Duarte S/A com a Previdência, no segundo semestre do ano passado. A direção da empresa nega que tenha usado intermediário para obter o parcelamento de sua dívida. Segundo a denúncia, Magri teria recebido US$30 mil pela transação. O ex-ministro gastou neste mês Cr$11,3 milhões para decorar com móveis de mogno resinado a casa que ocupa, no Lago Sul de Brasília (DF). A deputada Cidinha Campos encaminhou ontem ao TCU (Tribunal de Contas da União) um dossiê acusando o ex-presidente do INSS, José Arnaldo Rossi, de ter favorecido empresas devedoras da Previdência. Ela afirma que Rossi concedeu o refinanciamento sem obter parecer dos órgãos de arrecadação da Previdência e que ele teria dispensado irregularmente as empresas do pagamento de juros de mora. A primeira operação apresentada pelo dossiê envolve a Transportadora Coral S/A. Segundo a deputada, a empresa tinha ficha suja na Previdência. Apesar disso, a empresa conseguiu parcelar o débito, acima de Cr$4 bilhões, em cinco anos. Pelo acordo, a empresa teria que pagar 2% dos débitos no primeiro ano. No segundo ano, pagaria mais 2% e no terceiro, 6% (O ESP) (FSP).