ORGANIZADORES NEGAM MUDANÇAS NA RIO-92

O coordenador brasileiro do Fórum Internacional das Organizações Não- Governamentais (ONGs), Liszt Vieira, disse ontem, no Rio de Janeiro, que a ONU já estuda a transferência da Rio-92 para Nova Iorque (EUA). Ele disse que várias ONGs internacionais têm manifestado essa preocupação. A possível transferência ocorreria por causa do atraso no cronograma de obras do governo brasileiro. "No Acordo de Sede, assinado entre o governo brasileiro e a ONU, existem prazos que não estão sendo cumpridos", assinalou, mostrando o Anexo 4 do Acordo, que estabelece o prazo de 31 de janeiro de 1992 "no mais tardar", para instalação de uma conexão da rede de informações Internet ao Riocentro, que já deveria estar funcionando. O outro ponto destacado por Liszt foi o atraso da conexão da rede Alternex, que deveria estar efetivada em setembro de 1991. "O fato é que estes atrasos estão enfraquecendo a imagem da organização da conferência", afirmou. O secretário-executivo do Grupo de Trabalho Nacional (GTN), e organizador da conferência, Flávio Perri, não deu importância à advertência de Liszt, afirmando que ele (Liszt) "não tem nada a ver com a organização da Rio-92". Admitiu que o cronograma está atrasado, mas garantiu que o Riocentro-- local da conferência oficial-- será entregue à ONU na primeira quinzena de maio. Segundo Liszt Vieira, a proposta de transferência da Rio-92 se encontra na mesa do secretário-geral da conferência, Maurice Strong, e deverá ser discutida no 4o. Prepcon, o encontro preparatório que será realizado em Nova Iorque no mês que vem. Maurice Strong, no entanto, classificou como impensável a transferência da reunião. "Sempre existem atrasos e dificuldades na organização de uma conferência dessa dimensão. As Nações Unidas não fariam uma coisa desses, nem consideraríamos essa mudança", afirmou. Embora descarte completamente a possibilidade de transferência do local da conferência, Barbara Brumble, da Federação Nacional da Natureza dos EUA, admite a hipótese de adiamento da conferência, caso os governos não cheguem a qualquer acordo na reunião do comitê preparatório, "o que é possível", ou se os países árabes solicitarem o adiamento porque a data da conferência ocorrerá durante feriado religioso muçulmano. O presidente do GTN, ministro Carlos Garcia, informou que o Comando Militar do Leste vai coordenar a ação das Forças Armadas, da Polícia Federal e da Polícia Militar do Rio de Janeiro durante a Rio-92 (JC) (JB).