ONGS FAZEM PAPEL DO ESTADO NA QUESTÃO DO MENOR

O sociólogo Otávio Cruz Melo, pesquisador do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde (Claves) da Escola Nacional de Saúde Pública, disse ontem que as Organizações Não-Governamentais (ONGs) dedicadas ao problema do menor carente estão desempenhando no Rio de Janeiro um papel que deveria ser do Estado. O problema, segundo ele, se deve a uma contradição: o Estatuto da Criança e do Adolescente, que define o papel das autoridades e os direitos dos menores de 18 anos, é uma lei avançada para um país que não tem políticas sociais adequadas. "É um absurdo discutir o problema do menino de rua sem avaliar o salário- mínimo. Também não se pode pensar no menor sem analisar a condição social da sua família". O sociólogo acredita que a questão do menor carente no Rio só será resolvida quando o Estado começar a prover os cidadãos de trabalho e de condições básicas de alimentação e saúde (O Globo).