Dois anos depois de ser criada, a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) passa por sua primeira reestruturação. As alterações vão do organograma da secretaria à sua doutrina e foram estimuladas por um projeto em tramitação no Congresso Nacional, que antes mesmo de entrar na pauta de votações abriu uma polêmica envolvendo não só os partidos, mas até o próprio governo. O ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, é um dos críticos internos destas mudanças, pois os planos da SAE prevêem a formação de uma rede de adidos de inteligência nas embaixadas brasileiras no exterior. Rezek diz que o presidente Fernando Collor também desaprova o projeto, chamado dentro do Itamaraty de "Lei Araponga". As modificações na estrutura da SAE, antecipando-se à votação da lei, começaram com a criação de uma Coordenadoria de Assuntos Conjunturais, vinculada ao secretário Pedro Paulo Leoni Ramos, encarregada de acompanhar assuntos ligados à política, economia e ao psico-social. Na reforma, essa unidade se parece com uma mini-central do antigo SNI (Serviço Nacional de Informações). Antes, a função era desempenhada por um dos setores do Departamento de Inteligência (DI), que agora, com a nova organização, cuidará da área internacional (O ESP).