A recessão e os juros elevados transformaram o governo mais uma vez no grande tomador de recursos da economia. Em seis meses, enquanto o volume de títulos federais em poder do público praticamente dobrava, crescendo mais de 60% acima da inflação apenas em janeiro, os empréstimos dos bancos para empresas privadas caíam de 10% a 30% reais. A queda do volume de empréstimos veio acompanhada de um aumento da liquidez do mercado financeiro, provocada pela devolução dos cruzados das pessoas físicas, antecipações de câmbio e captações de empresas no exterior. A entrada de recursos permitindo às empresas sobras de caixa que deixam de ir para a produção para ganhar até 2% reais ao mês nos títulos federais, é situação parecida com a vivida em 1989. De cada Cr$100,00 que os bancos têm para aplicar, Cr$70,00 vão para o governo e o restante para as empresas privadas (O ESP).