A equipe econômica do governo já não descarta, como antes, as hipóteses de dolarização da economia ou de um pacto de preços e salários para fazer baixar a inflação. Mas nenhuma dessas medidas tem qualquer chance de ser adotada agora. O governo garante que, por enquanto, está mais preocupado em eliminar o déficit público, fechar um bom acordo com os credores externos e deixar a máquina estatal mais eficiente. Ontem, num almoço com empresários no Rio de Janeiro, o presidente do Banco Central, Francisco Gros, comentou, pela primeira vez, a proposta do ex-ministro Mário Henrique Simonsen, de emissão de títulos em dólar. "Eu diria que a nossa opção é a de não buscar soluções mágicas. Seria um erro. Uma eventual dolarização ou negociação de preços e salários poderia ser adotada apenas para apressar o processo de ajuste da economia, mas não nos permitiria enfrentar os problemas, as causas da inflação", afirmou Gros. Segundo ele, "precisamos primeiro eliminar as causas da inflação. No futuro, podemos discutir qualquer coisa" (O Globo).