A PROPOSTA DE RENEGOCIAÇÃO DO BRASIL COM O CLUBE DE PARIS

O governo brasileiro não vai pedir desconto algum durante a renegociação da dívida de US$21 bilhões que tem com o Clube de Paris. Com isso, pretende fechar rapidamente um acordo com os credores e recuperar o crédito junto à comunidade financeira. A informação foi dada ontem, em São Paulo, pelo secretário de Política Econômica, Roberto Macedo. Ele disse que há um ponto inédito na proposta brasileira: o governo quer reescalonar US$14 bilhões do total da dívida, montante que já havia sido reescalonado. Quanto aos US$7 bilhões restantes, contratados a partir de 1983, o governo se compromete a pagá-los no prazo estipulado. As negociações com o Clube de Paris começam no próximo dia 24. Segundo o secretário, o pedido de rolagem da dívida contraída até 1983 prevê um prazo de 15 a 20 anos para pagamento. Dos US$14 bilhões que o governo pretende refinanciar, US$9 bilhões são referentes à DPR (depósitos já renegociados) e US$5 bilhões a juros vincendos até 1993. Outros US$900 milhões referem-se a juros atrasados. O governo se compromete ainda a pagar em dia todos os compromissos assumidos depois de 31 de março de 1983. Estes compromissos formam os US$7 bilhões não incluídos no pedido de reescalonamento. O governo propõe também tratamento equitativo dos credores do Clube de Paris e bancos privados, tendo em vista que no ano passado foram pagos os juros dos bancos privados e não do Clube (O Globo).