REDE DE COMUNICAÇÕES ALTERNATINA NA AMÉRICA LATINA

Sob organização e orientação, no Brasil, de Carlos Afonso, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), entrou em operação, este ano, no Rio de Janeiro, uma rede de comunicação alternativa contendo informações sobre a realidade política e sócio-econômica da América Latina, com a participação de outras instituições e centros de pesquisas privados localizados na Argentina, Peru, Chile e México. A proposta da rede é a de democratizar essas informações, as quais possam ajudar a "eliminar o sub-desenvolvimento da região sem que isso implique na perda da identidade cultural desses povos". Os representantes dessa rede (pela Argentina, esteve representado o Centro de Estudios de Estado y Sociedad-- CEDES; pelo Peru, Desarrollo y Cooperación-- DESCO; pelo Chile e México, Instituto Latino-americano de Estudios Transnacionales) estiveram reunidos no Rio de Janeiro, em maio último, e entre outras coisas, discutiram à respeito do custo das telecomunicações e a seleção dos equipamentos e dos programas mais adequados para o projeto. Eles concluíram "que o uso de novas tecnologias tem grande influência para o crescimento das comunicações na América Latina devido, principalmente, aos baixos custos e à sua característica user friendly; e a experiência tem mostrado que qualquer pessoa sem especialização em computadores pode utilizar essas tecnologias como instrumento para o seu trabalho". Porém, "os altos custos cobrados pelas empresas concessionárias dos serviços de teleprocessamento-- todas pertencentes ao governo-- entre os países latino-americanos podem limitar a expansão das atividades. E, neste contexto, o Brasil aparece como o país de tarifas mais caras do continente. O Interdata, da EMBRATEL, cobra US$53 por hora de utilização". Segundo Carlos Afonso, "os altos custos do Inderdata inibem a iniciativa de pequenos grupos, transformando as ligações físicas num "bloqueio" a esse tipo de atividade. Para ele, "o acesso aos serviços de telecomunicações é privilégio de grandes grupos, como os bancos e as multinacionais, que podem pagar os altos custos de manter linhas privadas da EMBRATEL" (revista INFO no.43).