MÉDICOS CONDENAM DISTRIBUIÇÃO DE CALMANTES A DESABRIGADOS

A distribuição do calmante Vallium aos desabrigados das enchentes de Minas Gerais foi criticada ontem por psiquiatras. O presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, Hélio Lauar, classificou a medida como um disparate, uma vez que não há nenhuma indicação ou justificativa científica para a utilização do calmante Vallium em ações de saúde pública. Para o presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, o psiquiatra Arnaldo Madruga, a distribuição de Vallium demonstra a incapacidade das autoridades no atendimento aos desabrigados das enchentes. O chefe da Divisão de Mobilização e Logística da Secretaria Especial de Defesa Civil, do Ministério da Ação Social, Tito Alberto Gobato, confirmou ontem a remessa de novo lote de remédios para os desabrigados em Minas Gerais, entre os quais 30 mil comprimidos de Vallium. O secretário especial de Defesa Civil, Roberto Andrade, no entanto, admitiu que a distribuição de Vallium poderá ser suspensa. "Estamos reavaliando a distribuição", afirmou. Em todo o Estado de Minas Gerais, 30 pessoas já morreram e o número de desabrigados e desalojados em consequência das chuvas que caem desde o início do ano é de 47 mil. Dos 236 municípios atingidos, oito estão isolados, 47 decretaram emergência e 25, calamidade pública (O Globo) (JB).