A quantidade de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 12% em 1991 na economia formal, passando a atingir 47% da população empregada, contra os 41% do ano anterior. A se manter a tendência, o número de empregados clandestinos será maior do que o de trabalhadores registrados ainda no primeiro quadrimestre de 1992, afetando drasticamente o perfil da arrecadação previdenciária. Atualmente, a relação é de 2,3 trabalhadores ativos para cada aposentado, quando o razoável seria de 4 para 1. A projeção é do Ministério do Trabalho e Previdência Social, que teme o colapso do sistema previdenciário se a situação não for revertida. Para a diretora de Relações do Trabalho, Maria Amélia Sasaki, esse tipo de ilegalidade vem causando dupla lesão aos cofres públicos, pois além da perda de receita, o Estado está pagando mais seguro-desemprego do que devia. Segundo informou, foram bloqueados 20 mil requerimentos fraudulentos de seguro-desemprego nos últimos meses, a maioria resultante de acordo ilícito entre patrão e empregado. Ou seja, a empresa, em comum acordo, deixa de registrar o trabalhador, que, além de um salário em "caixa dois", geralmente irrisório, recebe quatro meses de seguro (JB).