BC DÁ POR ENCERRADO CASO DE FRAUDE CAMBIAL

A maior punição que os envolvidos podiam ter, já tiveram, que foi a de devolver o que ganharam ilicitamente, afirmou o presidente do Banco Central, Francisco Gros, a respeito das operações irregulares no mercado cambial feitas pelos bancos Goldmine e Ourinvest. Gros defendeu a liberalização do câmbio, afirmando que a má utilização da legislação não a invalida e que ainda é preferível ter um mercado livre, que permite a transparência das operações, do que mantê-lo na ilegalidade. Aproveitando brechas na legislação, os dois bancos trocavam moedas estrangeiras por dólares (a chamada arbitragem) no mercado de câmbio comercial e depois faziam a operação inversa no mercado de câmbio- turismo. Estas operações renderam aos dois bancos um lucro de cerca de US$6 milhões, prejudicando as reservas cambiais brasileiras, como comprovou a auditoria feita pelo BC em outubro último. Entre as punições possíveis estava o cancelamento da autorização para os dois bancos operarem no mercado cambial, mas o BC preferiu entrar em acordo com as instituições, para que elas devolvessem parte dos lucros apurados. Segundo as informações, no acordo prevaleceu várias exigências dos bancos infratores. Gros afirmou que, no BC, o processo está encerrado, mas salientou que está verificando se outras instituições também ganharam com estas operações. O BC prepara a unificação do mercado de câmbio para combater operações irregulares. A proposta é criar uma taxa única que substitua o câmbio comercial e de taxas flutuantes. Com a unificação do câmbio, os bancos que operam com moedas estrangeiras não teriam mais a possibilidade de comprar pela taxa comercial (dispendendo menos cruzeiros) e vender pela taxa flutuante (câmbio turismo) (O Globo) (JB).