DECISÃO DA SAÚDE PODE DEIXAR PAÍS FORA DA LUTA CONTRA AIDS

Depende agora do novo ministro da Saúde, Abid Jatene, a entrada definitiva do Brasil na corrida mundial pela cura da AIDS, uma chance única oferecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde), porém rechaçada pelo ex- ministro Alceni Guerra e pelo diretor da Divisão Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS, Eduardo Cortes, que declarou que o Brasil não seria cobaia. A OMS selecionou o Brasil para integrar um programa de capacitação técnica destinado a preparar a comunidade médica para executar os primeiros testes com uma vacina contra a AIDS. Por um desentendimento entre as autoridades de Saúde e a OMS, o projeto foi interrompido. Atualmente, 12 vacinas estão sendo experimentadas no mundo e espera-se que algumas estejam prontas para testes em seres humanos em três anos. O prazo para o governo brasileiro decidir se o país aceita ou não a oferta da OMS expira em abril. A postura do Eduardo Cortes e do Alceni foi irresponsável e criminosa.
44954 Eles criaram uma confusão proposital, não sabemos por quais motivos
44954 divinos, em cima dos termos apresentados pela OMS. Jogaram fora a
44954 oportunidade do Brasil participar de um programa fundamental para o
44954 controle da AIDS, critica o sociólogo Herbert de Souza, presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e diretor-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Hemofílico, Herbert contraiu o vírus da AIDS durante uma transfusão sanguínea. "Quando for aberto o programa de testes de vacinas, serei a primeira cobaia. Confio nos cientistas brasileiros envolvidos no programa da OMS. Faço um teste destes mais tranquilo que uma transfusão", afirmou (JB).