CORRUPÇÃO NO MERCADO DE CÂMBIO

O mercado cambial brasileiro foi vítima de operações irregulares de pelo menos US$10 bilhões no ano passado, realizadas por dois pequenos bancos brasileiros em conluio com meia dúzia de bancos estrangeiros. Por meio de numerosas simulações de troca de moeda estrangeira com os mesmos parceiros no exterior, os bancos Goldmine e Ourinvest manipularam os mercados de câmbio comercial e de taxas flutuantes (o câmbio turismo), obtendo lucros elevadíssimos em curto período, com prejuízos para as reservas cambiais do país. Ao descobrir o escândalo, o Banco Central pensou em punir drasticamente as empresas, mas acabou optando por um acordo. Os dois bancos se comprometeram a devolver os lucros obtidos com o golpe, que consistia na transferência de recursos do mercado de câmbio comercial para o de câmbio turismo-- o que não era permitido pelas normas do BC. Só o Goldmine, que funciona no Rio de Janeiro e tem patrimônio líquido de apenas US$6,5 milhões, fez operações irregulares de compra e venda de dólar entre 10 de julho e seis de agosto de 1991, no montante de US$8,4 bilhões. A maioria das transações foi realizada com o Tower Bank, do Panamá. Em apenas seis dias, no período de 10 a 26 de junho, o Ourinvest fez operações semelhantes em São Paulo, no total de US$1,7 bilhão com o MIB-Banking Corporation e a filial canadense do Republic National Bank of New York, que pertence ao banqueiro brasileiro de origem libanesa Edmond Safra. Auditoria feita pelo BC e mantida em sigilo até agora indica que o banco Goldmine lucrou US$5,5 milhões com essas transações e o Ourinvest, US$555 mil. Há suspeitas de que os lucros obtidos nessas operações pelos dois bancos foram muito superiores aos detectados pelo BC, o que levou a Polícia Federal a iniciar investigações sobre o caso no mês passado. O vice-presidente do Goldmine, Nathan Blanche, afirmou que outros bancos também aproveitaram-se das brechas da legislação para fazer o mesmo tipo de operação e não foram apanhados pelo BC (JB).