O diretor-superintendente do grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, proprietário da Sociedade Agrícola Santa Helena (produtora de carvão), negou a existência de trabalho escravo na empresa e prometeu transformá-la em fazenda modelo. Ele atribuiu a responsabilidade da situação aos carvoeiros, que "apesar da proibição da legislação", levam mulheres e crianças para trabalhar nos fornos. As denúncias da secretária do Trabalho de São Paulo, Alda Marco Antônio, envolvem também a Eucatex, empresa do candidato do PDS ao governo paulista, Paulo Maluf. Após realizar duas fiscalizações em sete fazendas da região, a secretária constatou a existência de trabalho escravo, inclusive de crianças. Duas mil famílias, contratadas por empreiteiros para o corte da madeira, vivem em barracos de tronco e plástico, em acampamentos distantes 50 km de uma estrada, sem carteira assinada, assistência médica e escolas. Como pagamento, em geral recebem vales para comprar apenas alimentos (JB).