FRACASSA TENTATIVA DE GOLPE NA VENEZUELA

O governo venezuelano sufocou ontem uma tentativa de golpe de Estado no país, que durou 12 horas. A revolta foi liderada por militares insatisfeitos com a situação das Forçar Armadas e com as dificuldades que o país atravessa em virtude da política de prolongada recessão na economia. As tropas rebeldes entraram em Caracas durante a madrugada. Houve combates no palácio do governo, na residência do presidente Carlos Andrés Pérez e no aeroporto militar. Pelo menos 36 pessoas morreram. Pérez escapou do cerco e comandou a reação. Os chefes rebeldes, na maioria jovens oficiais, se renderam no início da tarde, admitindo que seus objetivos não haviam sido alcançados "por enquanto". A` noite, entretanto, ainda eram ouvidos tiros perto do palácio presidencial de Miraflores. Com a rebelião controlada, Andrés Pérez reuniu seu gabinete e decretou a suspensão de garantias constitucionais por um mínimo de 10 dias. O presidente, que horas antes retornara da Suíça, fez três pronunciamentos na TV durante a crise, afirmando num deles que o objetivo do levante era matá-lo e instalar "uma sangrenta ditadura" no país. De Washington (EUA) a Buenos Aires (Argentina), os líderes do continente foram unânimes em condenar o golpe. O presidente George Bush declarou que os EUA apóiam a democracia na Venezuela e no resto do Hemisfério e elogiou Pérez, "um dos grandes líderes democráticos" do continente. Dezesseis dirigentes latino-americanos, entre eles o presidente Fernando Collor, repudiaram a rebelião num comunicado conjunto, no qual "exortam o povo venezuelano a dar o mais vigoroso respaldo à legalidade e conservarem uma genuína democracia na América". Liderados pelo coronel Hugo Chavez, os oficiais golpistas, integrantes de um Movimento Revolucionário Bolivariano, tentaram capitalizar a insatisfação social com o programa de ajuste neoliberal aplicado há três anos por Andrés Pérez. Em sua plataforma, eles se opunham ao pagamento da dívida externa, pediam um plano de emergência contra a fome e atacavam as negociações realizadas com a Colômbia para delimitar as águas do Golfo da Venezuela, rico em petróleo (FSP) (JB) (O Globo).