O Brasil jamais recebeu mísseis "Scud", do Iraque, para estudos de modernização e produção regular das versões avançadas desses vetores de ataque, conforme noticiou ontem o jornal "O Globo". Na verdade, a indústria bélica nacional desenvolveu secretamente para a artilharia da Força Terrestre Iraquiana, na primeira metade dos anos 80, um míssil tático de médio alcance, o "SS-300", projetado pela AVIBRÁS, em São José dos Campos (SP). O programa durou até 1987, mas só atingiu o estágio da construção do primeiro protótipo de engenharia e dos ensaios preliminares dos motores. Embora a arma interessasse também ao Exército brasileiro, o empreendimento foi interrompido por determinação reservada da Presidência da República, pouco antes de entrar na fase dos lançamentos de testes de vôo. "Esse foi o único envolvimento do país com o projeto de mísseis pesados de Saddam Hussein", garantiu ontem um oficial general da reserva, na época diretamente ligado ao Departamento de Material Bélico (DMB) (O ESP).