Não foi só com blindados "Urutu" que o Brasil armou o governo iraquiano na guerra do Golfo Pérsico. A versão mais sofisticada do míssil soviético "Scud"-- o mais poderoso artefato do arsenal de Saddam Hussein-- começou a ser desenvolvida no CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica), em São José dos Campos (SP), pela equipe do brigadeiro Hugo Piva. Agindo primeiro em nome do governo brasileiro e depois por conta própria, Piva também ajudava o Iraque a fabricar a bomba atômica. Com o dinheiro do seu petróleo e o nosso know-how, poderíamos fazer
44845 maravilhas, disse o brigadeiro aos iraquianos, em 1981, no Rio de Janeiro. Além de fornecer "yellow cake" (urânio concentrado) ao Iraque, o Brasil repassou também tecnologias conseguidas de chineses e alemães. A parceria, feita sem o conhecimento da sociedade brasileira, é denunciada no livro "O Lobby da Morte", do escritor norte-americano Kenneth Timmerman, e confirmada por serviços de informações dos EUA (O Globo).