A Rio-92 vai transformar a cidade do Rio de Janeiro em cenário de uma operação de guerra. Segurança máxima é o que o governo brasileiro está prometendo aos chefes de Estado e de governo que pretendem vir a uma cidade que tem fama internacional de ser, na mesma proporção, maravilhosa e violenta. A Polícia Militar dobrará seu contingente dias antes da conferência começar, em 1o. de junho, e após o término do evento, marcado para o dia 12. Toda a orla marítima da zona sul do Rio, onde se concentram os hotéis que devem hospedar as autoridades, será ostensivamente policiada. O Riocentro, local da conferência, é prioridade número um no esquema de segurança. A Polícia Federal, que tem a responsabilidade de acompanhar autoridades, estuda a operação há um ano. A Polícia Civil também duplicará o pessoal nas delegacias próximas ao evento e junto aos hotéis. A PF terá carros blindados nas ruas. A PM sofisticará seu sistema de comunicações. Todos querem mais carros, armas e munições. Helicópteros, provavelmente do Exército, sobrevoarão intensivamente a cidade. O Rio terá dias de feriado municipal. As escolas estarão em férias e o trânsito será desviado. O chefe de Relações Públicas da PM, coronel Brandino Ribeiro, diz estar receoso de que alguns dos eventos não oficiais da Rio-92 fujam ao
44844 controle do esquema de policiamento que está sendo implantado pela corporação. Ribeiro afirma que as dificuldades, já no planejamento do esquema de segurança da PM, se devem ao fato de ser "muito grande o número de eventos" paralelos à conferência oficial. O Grande Rio tem hoje 23 mil policiais militares. Em 1991 foram registrados 7.454 assassinatos em todo o estado, além de 83 sequestros (FSP).