O presidente Fernando Collor está preocupado com a crescente tentativa de interferência de entidades ecológicas estrangeiras, propondo a chamada internacionalização da Amazônia. Só na semana passada, o presidente recebeu dois relatórios sobre a ação desses grupos no Brasil. Um dos relatórios, que traz em anexo cópia de uma reportagem publicada por uma revista alemã, refere-se à proposta de uma instituição ecológica holandesa de criar um serviço público alternativo na Amazônia. De acordo com a publicação, os integrantes da instituição deveriam se inscrever para ajudar a salvar a Amazônia, que estaria sendo destruída pelo Exército. A revista acusa o Exército de devastar 150 quilômetros de mata nativa. A destruição da floresta, conforme a publicação, estaria sendo promovida pelos cinco mil homens do Exército na região. Segundo o Exército, no entanto, existem apenas 500 homens no Batalhão de Fronteira na cidade de São Gabriel da Cachoeira. As Forças Armadas acusaram essas entidades de mentir e afirmaram que o Exército possui 10 mil homens em todo o Comando Militar da Amazônia. O outro relatório enviado ao presidente apresentava uma convocação aos interessados em questões indígenas para participar do II Congresso de La Oibiqueva, realizado entre 20 e 25 de janeiro (O ESP).