GENERAL ADMITE USO MILITAR DE REATOR

Uma autoridade militar brasileira admite, pela primeira vez, que a capacitação tecnológica do país na área nuclear pode conduzir a objetivos militares. Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia, general Romero Lepesqueur, que comanda o projeto de construção de um reator a grafite, no município fluminense de Guaratiba, "por enquanto nossa preocupação é com armas de defesa, mas quem se prepara tecnologicamente contra o efeito de uma arma nuclear está habilitado a se preparar para o ataque". O reator de Guaratiba depende de verbas de US$30 milhões à espera de liberação na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Não teria potência para produzir a bomba atômica brasileira mas o fato de militares estarem à frente do projeto confirma advertência feita em 1990 pelo coronel reformado Geraldo Cavagnari, coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UNICAMP (Universidade de Campinas). Segundo ele, a história recente das Forças Armadas de qualquer país do mundo não apresenta um único exemplo cujo objetivo final não tenha sido exclusivamente a obtenção de armas (O ESP).